The pursuit of happiness

Carregando...

sábado, 13 de agosto de 2016

O mundo de Liz

Uma criança especial. Especial por ser criança, especial por ser filha, minha filha. Não "minha" como posse, não apenas "minha" como responsabilidade (apesar de o ser), mas como parte de mim.

Ela é o eco do meu sorriso, o espelho de minhas caretas, o elo do meu abraço. Ela se esconde, eu encontro. Eu me escondo, ela encontra. Nos encontramos. Pai e filha. Do berço aos braços, dos braços ao banho, do banho ao berço. Por ser pai, participar.

Mas, em alguma parte do dia, a deixo. Em boas mãos, é verdade, porém não são as minhas. Trabalho estudando, estudo trabalhando. Não tem brincadeira no trabalho. Por ser pai, prover.

O que faz Liz sorrir hoje? Do que precisará amanhã? O mundo de Liz tem poucos brinquedos, mas muitas brincadeiras. O mundo de Liz não tem luxo, mas tem lar. Tem até um parquinho lá em baixo que gente grande só pode olhar. O mundo de Liz tem Jesus, que também foi criança, uma criança especial!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Pensamentos no vale #1: O caminho para casa

Estou vivendo um momento de luto. Não me vesti de preto, nem procurei formas comumente empregadas de expor isso, principalmente nas redes sociais. Aliás, esse momento tem sido marcado por muita liberdade. Para falar, para ficar em silêncio, para chorar, e até mesmo para sorrir (sim, encontro motivos, situações e pessoas que me fazem sorrir nesse momento). Não me forço a nada, nem mesmo a extrair lições da minha dor: elas simplesmente estão aí e, de alguma forma, se apresentam a mim.

Eram aproximadamente sete da manhã (06 de Março de 2015). Estava no início do café quando meu pai me ligou: "não teve jeito", "sua mãe faleceu", "venha com calma". Apesar das dificuldades de saúde que desde o final do ano passado minha mãe enfrentava, sua morte se deu num intervalo, um período em casa após mais uma internação e a volta ao hospital para o início de um tratamento que nem sabíamos qual era pois ainda não havia um diagnóstico conclusivo. Sim, foi uma surpresa amarga para mim.

Ainda processando as informações, tive que encontrar equilíbrio para dirigir da cidade onde trabalho para a cidade dos meus pais (cerca de 300 km). Seria um longo caminho. Havia muita coisa e ao mesmo tempo quase nada para falar com Deus. Há um certo tempo lembro de orar no carro pedindo que Deus desse a oportunidade de minha mãe pegar sua primeira neta nos braços. Liz, minha filha, está com nascimento marcado para 17 de Março de 2015 (11 dias depois do falecimento de minha mãe) e só Deus sabe como é escrever no intervalo entre a despedida e a chegada. No caminho, não senti muita vontade de perguntar "por que" o abraço entre elas não ocorreu, mas falei para Deus como aquilo me doeu. Minha necessidade não era por uma resposta, mas por conforto e alívio. O carro foi meu templo, meu consultório, um lugar de encontro com Deus.

Hoje faz uma semana que perdi minha mãe. É muito difícil, mas minha família está unida, os amigos e irmãos estão perto para nos ajudar a carregar o fardo. Sempre que a lembrança vem, abro meu coração para que Deus ministre esperança e paz. Deus ainda não me tirou a dor, Ele está comigo sentindo e tornando-a suportável. Deus está presente no caminho: no caminho para casa.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Terra do Não

"Eu descobri em mim mesmo desejos os quais nada nesta terra podem satisfazer. A única explicação lógica é que eu fui feito para um outro mundo." C. S. Lewis

Consciente da minha finitude, procuro razões para ser e existir, se é que existe razão para tal  distinção. Nas prateleiras da fé, posso escolher meu remédio. Remédio bom ou placebo? Qual será a dose do dia?

Para eliminar a solidão, o amor. Para enfrentar a dor, a medicina. Para encarar o fim, minha sina, a religião. Para cada limitação, uma superação, e para cada superação, uma lição. Levo a vida aprendendo a vivê-la,  mas boa parte do que hoje sei só servirá para a próxima geração.

Vim num Outubro, mas não sei em qual dos Doze eu vou. Sei apenas que vou. Fim de tudo ou outro mundo? Nesse intervalo chamado vida, escolhi aprender e tenho aprendido a escolher. Posso abraçar ou me afastar; levar ou deixar; aceitar ou rejeitar. As tristezas na vida parecem decorrer de más escolhas ou da impossibilidade de escolher. 

Lembrei-me do criminoso arrependido ao lado de Jesus. Sua vida era pesada pois carregava suas culpas pessoais e pertences alheios. Na sua cruz final, porém, pouco ou nada tinha senão um resto de ar disputado pelos seus pulmões e pela sua garganta. Ele escolheu usar sua voz para pedir perdão por uma vida cheia de erros. Jesus, mesmo pendurado no madeiro, tinha o poder de perdoar pecados, e, com a "graça do seu ar", pronunciou sua sentença: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso...".

O paraíso ao qual Cristo se referia era o outro mundo conhecido pelos pais da fé como a Terra do Não*. Não? Não mais dor, não mais lágrimas, não mais fome, não mais sede, não mais guerras, não mais destruição, não mais solidão, não mais todos os "nãos" que a vida nos diz. Não sei ao certo como descrever esse lugar, talvez João saiba dar mais detalhes. O pouco que sei - e que já faz toda a diferença - é quem mora lá.
Tudo o que a gente mais deseja
Mesmo não sabendo bem do que se trata
Tudo o que é sorriso de felicidade
A gente encontra no mesmo lugar.
(Crombie)
*Use sua imaginação e, por favor, não procure esse nome na Bíblia!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Insigths #13 - O Natal do sentido

O Natal é sempre igual. Os mesmo sentimentos, as mesmas mensagens, as mesmas músicas, as mesmas mesmices. "Então é Natal, e o que você fez?", diz a mesma música de sempre. É aquela mesma pergunta que só se repetirá um ano depois. Esse "Natal" é uma tradição vazia de sentido em um mundo vazio de Deus.

O Natal em que acredito é o Natal do sentido. É Jesus que nasceu para morrer, e que, pela sua ressurreição,  trouxe a nós a possibilidade de uma vida plena de significado. Não é mais necessário carregar o pesado vazio existencial pois Ele tem água [viva] para encher o coração de quem precisar. Há sentido para a vida pois nasceu o sentido do Natal.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Insights #12 - Pense: o Logos existe

Logos: Palavra, Verbo, Razão. O início, a causa de tudo, o tudo da causa, da nossa causa. Acreditamos, não por mérito, mas por misericórdia. Cremos que Jesus é "o que era, o que é, e o que virá". Trata-se de uma pessoa que, no pleno exercício de sua liberdade, decidiu "existir" em forma de gente. Atraente em sua personalidade, sua mente induzia seus ouvintes a pensar, a amar.

Sim, eu acredito. Minha confissão é "Jesus é a razão de tudo, não a religião de todos". A sujeira dos seus pés me lembra desse Homem-Deus. Talvez, no simples ato de jogar bola descalço eu me lembre mais vezes dessa verdade, da Verdade. É só correr no chão que o Deus-Homem criou.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Insigths #11 - Aos pés da cruz

Jesus caminhava. Seus pés estavam frequentemente doloridos e sujos de suas andanças. Sendo o "Caminho, a Verdade e a Vida", fez da via crúcis seu caminho para nossa redenção. Seus pés subiram o Calvário marcando o chão para que discípulos de todas as gerações soubessem onde encontrar esperança.

Também caminhamos. Ora firmes, Ora trôpegos, trilhamos algum caminho. Pés ágeis, por vezes cansados. Nossos pés tem suas razões, seus caminhos, e muitas vezes se apressam para fazer o mal. Uma coisa é certa: ou escolhem seguir a Cristo, ou escolhem pisar o Filho de Deus e sua cruz. É melhor que corram para Deus, que se encontrem aos pés da cruz.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Insights #10 - O jardim e templo

Deus criou um jardim para o homem. Sem paredes, apenas chão, luz, ar, árvores. O olhar de cima para baixo não era altivo; Deus não pode pensar ser mais do que realmente é pois Ele é infinito. O homem poderia deitar no vivo chão de grama sem receio de ser irreverente e contemplar os céus abertos, representação do coração aberto do Criador e de toda a sua majestade.

O homem criou um templo para Deus. Paredes, teto, chão de mármore, granito, concreto... Ironia, teve de buscar na criação algo para agradar seu Criador, afinal "Quem primeiro deu a Ele e depois recebeu"? A cúpula - literal e metafórica - fez esse homem olhar para cima em busca dAquele que estava ao seu lado. Casa de Deus não é edificada por mãos humanas. Ele ainda tem o céus como seu trono e a terra como estrado dos seus pés.