The pursuit of happiness

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu, Cecília




Meireles, como eu, Cecília é festa e canção
Vento e água, passageira, o meu fim também é Paixão
Andava distraído e a procura do que ser
E no secreto calendário
Um encontro com você

Alegre lhe trouxe pra casa
E esqueci você no armário
Viajamos por aí, rimos juntos, mas é certo o pranto
Para qualquer lugar, onde tudo é neblina ou infinito

Como a lua tenho fases que fazem me esconder
Ou vir pra rua, miragem, pular não sei o que
A vontade de ser fogo, a vontade de ser vento
De querer ser veloz, ou mesmo de ser lento, viver esse alento
Sem a pressa que destrói
Só que o amor pra eu viver

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Desenquadrando nosso cristianismo



Achei absolutamente sensacional a prop.posição #2 do grupo de dança e pensamento – seja lá o que isso represente - Ur=H0r intitulada "Desenquadrando Euclides". Duro de entender? Bom, como alguém da área de exatas, agirei "quadradamente" criando definições para essa sopa de letrinhas (soou quadrado de novo).

1) prop.posição – definir agora perderia a graça da descoberta;

2) Ur=H0r – fórmula matemática que representa a contínua expansão das galáxias no universo (simples assim);

3) Euclides de Alexandria (360 a.C. - 295 a.C.) - representa o lado “quadrado” da geometria, um mundo bidimensional em que as linhas paralelas não se encontram e em que a soma dos ângulos internos de um triângulo é 180 graus (por demais exato).

Transcrevo a seguir a sinopse da prop.posição #2:

Desenquadrando Euclides é a emergência de uma coleção de exercícios, instruções, procedimentos e imagens tangeciadas pela instabilidade, irregularidade e não linearidade de formas. Praticando o desenquadramento de nosso hábitos nos aproximamos de um real estado de possibilidades, sem o qual não há chance de brotar outros sentidos da vida.

O público é convidado a errar conosco, a reinventar seu papel de público, repensar seus valores, referências e lugar no mundo.

Para mim, essa sinopse é simplesmente de tirar o fôlego! Eu me apresso em tentar atribuir significados a tudo que vejo e ouço, e não é diferente com esses dois parágrafos. Minha mente é quadradamente programada para traçar paralelos entre X – sendo X um conceito qualquer – e o Cristianismo. Devo dizer que tento traçar paralelos na esperança que as retas se encontrem no espaço do sentido. Esse é um espaço de possibilidades não-Euclidiano, ou seja, irregular, inexato, imprevisível, instável, i...

Nós, que professamos a fé cristã, somos um público convidado ou até forçado a viver num mundo não-Euclidiano. A nossa coleção de exercícios, movimentos e deformações é o transformar da nossa mente (ou renovar, termo utilizado pelo apóstolo Paulo). Dessa maneira, poderemos experimentar a boa, perfeita e agradável vontade Deus. Essa transformação é um convocação ao abandono de velhos paradigmas.

Jesus é o que posso dizer de alguém "transformado" por natureza. Nada de paradigmas, de templos, de sábados, de formalidades. Tinha uma mente perfeita, experimentava a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, ainda que essa vontade incluísse seu sofrimento por amor aos pecadores. Ele podia ser totalmente santo e conviver com pessoas de estilo de vida não aceitável, de diferentes credos, gente estranha e fora dos moldes religiosos da época e local (não-quadrados).

E por falar em quadrado, não é que o mundo parece ser mais um quebra-cabeças ou um mosaico do que um xadrez? Supondo que um quadrado é um cristão (mas nem todos os cristãos são quadrados), todo quadrado tende a encaixar (interagir, relacionar) num meio apenas com quadrados, desprezando as formas diferentes da sua. Logo, penso que o primeiro critério para identificar se somos quadrados é checar nossa lista de relacionamentos. Será que ela inclui gente de diversos "níveis" sociais? E religiosos? E gente que pensa de forma diferente?

Basear o relacionamento apenas no encaixe entre formas, e não na compreensão entre diferentes formas, despreza o amor e a individualidade de cada ser. O resultado é a "combatida-alimentada" segregação humana. Quadrados continuam a falar, comer e beber, "quadradamente". Não-quadrados sem Cristo, mudam de forma sem um padrão (sentido, propósito) agradável a Deus. Forma, nesse contexto, é sua realidade, o que a pessoa tem se tornado.

Para finalizar minha analogia, penso que o convite ao erro (pecado?) mencionado na sinopse não deve ser interpretado literalmente. Entendo que se trata de um convite para viver, tentar, ousar, participar, desenquadrar-se, e, inevitavelmente, errar. O interessante é que o erro não necessariamente define uma forma, mas a forma com ele é tratado sim. Nisso com certeza haverá interação entre formas resultando - espero eu - numa forma mais agradável ao Grande Matemático.

Devaneios teológicos: olhos do amor

Estamos diante do livro mais aclamado de todos os tempos e lemos como se fosse um gibizinho descartável. Nos enchemos de pressupostos e descartamos a singuralidade de cada personagem que escreveu e participou das tramas ali narradas.

Minha angústia ao escrever esse texto é que as pessoas tiram conclusões teológicas das narrativas bíblicas e fabricam um Deus com a qual querem se relacional. Como exemplo, lembro de há pouco meses haver uma famigerada conversa sobre homens de bermuda na reunião pública. Famigera, batida mas não resolvida (pelo menos na minha comunidade) questão. O argumento prevalecente foi que se diante de um juiz comparecemos totalmente arrumados, por que não na "Casa do Juiz"?

Fiquei revoltado porque ninguém citou as pobres coitadas pessoas que não vão a um encontro comunitário pois não tem uma roupa. Isso já seria motivo suficiente para abandonar essa figura do Deus juiz construída numa época em que tal profssião era bela. Aliás, Deus era advogado e Médico. Talvez um Engenheiro Naval que ordenou e especificou a construção da Arca, mas não Gari que limpa nosso coração, Servente de Água para os que tem sede por uma nova vida. De novo, não se trata de uma conversinha sobre usos e costumes, mas como essas pequenas coisas revelam nosso olhar das profissões de sucesso sobre Deus.

Depois que passei pela dolorosa depressão (aliás, como bipolar devo sempre me cuidar), vi que o consultório médico nada mais é um lugar que vou para me curar e que roupas bonitas eram apenas estresse para uma vida tão atribulada. Não visto belas roupas e me encho de perfurme pois não é um encontro social de fato, mas entre duas pessoas com interesses bem definidos: o que cura e recebe por isso e o que necessita da cura e paga por isso. Isso não descarta a amizade entre médico e paciente, mas isso só reforça minha vontade de ir de chinelo e bermuda para o consultório.

Mas meu desejo é o de voltar sobre a visão sobre Deus. As lentes daquela senhora estão (des)ajustadas para um Deus Juiz, aliás, nem o Deus Juiz da Bíblia pode ser comparado a esse Deus. Perguntei-me: como Deus gostaria de ser lido? Qual a perspectiva sobre sua pessoa que Ele achava crucial? O Deus é amor foi minha resposta. Não se trata de trocar as lentes para ler a Bíblia ou enxergar por um novo prisma. Como algo de ler no Paulo Brabo, é Metanoia, termo traduzido por conversão, mudança radical de vida. Tem a ver com mudança de olhos, é muito mais dolorido que apenas trocar lentes. É como se o próprio Deus oferecesse novos olhos para o lermos através da Bíblia.




Essa mesma diz que se nossos olhos forem bons, todo nosso corpo será luminoso. Então sinto que estou chegando perto (ou quente, como na brincadeira). Ao ler a Bíblia sob os olhos do Amor, vejo a lágrima de Deus. Vejo que as pessoas atribuem a ele coisas que não lhe é devida, catástrofes da qual ele não é culpado e das quais eles sofre junto pois decidiu, ao meu ver, conceder liberdade ao homem e intervir apenas em casos cruciais em que o ser humano aniquilaria o ser humano.

Posso parecer novo (25) para ousar-me nesse campo da teologia em que nem canudo eu tenho, mas experimentei a pior dor emocional possível. Tive de depressão bipolar, ou seja, ao melhorar recaí pois precisava de estabilizantes de humor. Ainda tive duas crises maníacas. Essas crises são marcadas pela agitação corporal, o desejo de fazer coisas rápidas e descompasso entre mente e corpo. Entrei em convulsão, pensei de ter morrido mas voltei para escrever.

O melhor tratamento não foi acusar Deus, sendo que me deu muito vontade. Tem sido seguir o tratamento médico-psicoterápico e ler com os olhos do amor a Deus. Quando o leio como amor, não jogo um mundo em cima dele. Isso seria nada para ele. Somente quando abri meu coração e chorei copiosamente minha miséria, desabafando todos os meus sentimentos, angústias e medos é que comecei a experimentar o poder do Vazio que cura. A partir desse Vazio, algo me preencheu, acalentou-me e fui envolvido pela esperança. O Deus Juiz, no entanto, olharia para minha miséria e diria: tem pecado. O Deus amor pode dizer o que for, mas seu foca está na cura e não na condenação.



Escreverei sobre esse "a perspectiva do amor" na interpretação bíblica da doutrina salvação e do pecado com mais detalhes. Espero oferecer algo menos estático que as tradicionais teologias. Quero ler a Bíblia com o jornal do dia na mão sem fumar uns charutinhos (Karl Barth), apesar de ter curiosidade. Aliás, jornal está meio ultrapassado. Lerei a bíblia com blogs, sites, noticiários, wikipedia, periódicos de ciência, etc. na outra mão. Prometo aqui me esforçar para não ser um fanáticos, mais um fundador de "ismo", apenas oferecer meus olhos para meus leitores.

Abraços,
Thiago PX

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aqui jazz um sonhador

Meio adulto com coração de criança. Choro até quando não tenho lágrimas. Choro minha falta de lágrimas. Choro minha pressa. Choro meu materialismo. Nostagicalmente, estive em Aracaju. Já são 10 anos longe da minha terra. Já morei em 4 cidades diferentes, e Aracaju que me viu crescer hoje também me chama de PX. Sempre me perguntam por que eu saí de um lugar tão lindo e limpo. Momento, precisava, todos da família estavam num mau momento. E se... tivesse ficado? Bobagem tentar imaginar. Prefiro apenas continuar...

Aracaju viu meus dentes tortos e me amou. Viu as manchas escuras da alergia na minha pele e me aceitou. Viu minha pressa e não correu. Viu minhas lágrimas e me ofereceu o mar. Fui, mas uma vez, caminhar, em busca de colegas que sempre moraram na mesma casa e me entristeci a não vê-los. Ousado, prossegui e destemidamente pedi para entrar no meu antigo condomínio. Lembrei-me que antes mesmo de morar lá, já usufruia da quadra e da piscina, águas que não eram suficientes para conter minha emoção de moleque.

Lembrei-me das primeiras paixões, essas sofridas calado como quem contempla obras de arte. O caminho da bicicleta, o prédio imponente que me abrigou. Ao sair, fui brindado com promoções de livros: Crime e Castigo (coadjuvante) e Meninos de Kichute (esse sim, o livro). Meu Deus, eu usei Kichute, apesar de não poder ser considerado um legítimo menino de kichute. Jogava bola num dos campos do Parque da Sementeira e amarrava várias vezes o cadarço no próprio tênis. Mas eu usei Merthiolate que ardia, e ardia porque matava os micróbios, os grandes bandidos do mundo. Se não fossem eles, não precisava chorar com o ardor do Merthiolate.

Lembrei dos meus sonhos meninos. Ser motorista. Dirigia cadernos durante a aula. Fui desistindo das coisas de menino, e sonhei processamento de dados. Até já estava na escola técnica. Quem diria que eu sairia de minha linda terrinha. Hoje quase mestre em Computação, mas os sonhos voltaram a ser crianças. Sonhos de ser artista, daqueles que leva um prato de beleza com esperança para o público. As lágrimas esboçam sair, respiro e percebo que estou vivo. Dou graças a Deus por poder sonhar em nova cor. Sinto-me feliz por poder sonhar.

Que meu sonho ajude outros a buscarem seus sonhos. Não se prenda ao dinheiro pois ele naturalmente já é uma prisão. Trate com carinho dos sonhos que dinheiro não vai faltar. Mais um ano e me pergunto o que tenho me transformado. Não é o que tenho, mas o que sou me dá ânimo para seguir e enfrentar minhas dores.

Abraços saudosos,
Thiago PX

Da Palavra à Poesia



Palavras encaixadas na liturgia desse dia
Símbolos de pausa, suspense que traz a dúvida
Arte escrita imita a vida, arte vivida
Me leva para passear, olhos fechados para qualquer lugar

Raro e distante, onde a beleza traça seus ideais
Doloroso, irritante, homens e guerras banais
Claro, cintilante, ilusões de paraísos fiscais
E será só isso? Não há nada melhor?

A poesia nasce na janela da espera incerta, intervalos da vida
Das manias-euforias aos vales-depressões, agonia
Espero apenas a pena molhada de sangue e suór escrever "Amor" na minha face
Antes que tudo se acabe, antes que tudo seja simplesmente pó

Thiago PX

terça-feira, 29 de junho de 2010

Da nossa falta de hora!


Como era mesmo aquela musiquinha... "Somos jovens num mundo velho a pregar NOVOS ideais". Hora, faça-me o favor. Nosso anciãos jubilavam com essa cantiga, e ainda há jovens que estufam seus peitos para cantar isso. O desfecho da cantiga é "...importa que preguemos a salvação."

Salvação de quê? Do diabo? Da morte? Dos vícios? E dos clichês? E da miséria? E da falta de esperança? Estou numa pilha de nervos pois senti-me tocado no espetáculo Hora de nossa hora, um monólogo sobre o João, o que não é da Bíblia.

João, menino brasileiro esperto, idéias correm ligeiras... O idealizador da peça Eduardo Okamoto revela:


Quando pensava em treinar malabares, ele evitava usar crack. Segundo ele o consumo da droga não permitiria a concentração necessária para o treino. Ele ainda disse que se queria treinar malabares só usava maconha. Finalmente, percebia que tinha nos malabares uma arma poderosa contra o vício da droga e que chegava a imaginar que eu treinava a seu lado a fim e prosseguir por mais tempo sem uso do crack. Na falta de bolinhas, João inventava malabares com pedras. Ressignificava o local de uso de droga. Sozinho, João imaginava presenças. Na falta, reinventava-se


João é da Candelária. Convivia com a violência e banquetes do tipo ensopado de cabeça de galinha. João lembrava de canções belas como "eu prefiro estar no meio da congregação onde flui [...] ah, como é bom viver em comunhão...". Ao ouvir essa música do João, fiquei encucado, o estômago revirou. Procurei caneta, ia blogar off-line, mas por sorte não achei. Era tempo apenas de sentir o remédio amargo.

Ao final do espetáculo perguntei ao Eduardo como ele soube daquela música. Ele disse que ouviu numa comunidade espírita, mesmo sabendo que a música era de um cantor evangélico e que em sua família havia outros evangélicos. Eu falei que a conhecia mas nunca refleti sobre ela.

No final de tudo, não importa onde eu PREFIRO estar, mas sim onde eu PRECISO estar. Que de alguma forma eu esteja com João, José, Maria, e tantos outros que precisam de Jesus, o que, como João (o Alexandre) diz, se envolve e resolve. Apenas assim, deixaremos de ser forasteiros onde não devíamos e velhos no mundo com necessidades jovem.

Abraços,
Thiago PX

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu, eu mesmo e a bipolaridade


Você sabia que o Jim Carrey, astro do filme "Eu, eu mesmo e Irene" é bipolar? Aliás, ele deve ter se sentido muito a vontade no papel e nada melhor para descrever essa situação que a imagem à esquerda.

Assim como a depressão, creio que a bipolaridade é muito desconhecida e, por isso, tantos bipolares são alvos de preconceitos. Sendo que minha proposta nesse blog é pensar alto, faço audível que não sou um apenas. Não estou falando do impostor que vive em mim, aquele outro "eu" que finge ser bonzinho. Estou dizendo simplesmente que tenho uma doença mental que, se não tratada, torna-me refém de crises depressivas ou crises maníacas, aquelas em que o mundo fica pequeno.

A descoberta é recente, data de poucos meses. Já relatei sobre a depressão, e aliás, nem sabia que se tratava de bipolaridade. Mas uma crise eufórica de verdade fui ter no Rio em que senti que meu corpo ligava e desligava. Desesperado, procurei ajuda no aeroporto. Após ser bombardeado de perguntas, sumi. Quando retomei a consciência, a médica chamou-me de Michel. Esse sim, um baita impostor. Foi uma crise convulsiva e graças a Deus que não foi em uma igreja. Eles tentariam exorcizar o pobre Michel que apareceu lá devido a essa psicose.

Já bati em alguns livros para ler, mas ainda não tomei coragem. A sugestão me parece perigosa. Também não quero ficar me gloriando das loucuras, nem utilizar disso para me promover ou me esconder atrás de personagens. Também não quero "me entregar como um fraco", frase do João Alexandre. Quero minimizar o preconceito contra essa doença, assumir minha fraqueza e estar com Deus nela. Quero mostrar que a estabilização é bem possível se, com fé, seguirmos o tratamento sem bancar o herói.
Agradeço a todos que já manifestaram seu apoio. Agradeço e reconheço que preciso de vocês. Como é bom ter amigos para nos botar para cima e para baixo quando precisamos também.

Para concluir, deixo uma música bipolar no Zeca Baleiro. Vocês perceberam, se forem atentos, que os bipolares estão em todos os lugares. Também, se aprenderem a ler nosso mundo, verão que nossa sociedade é bipolar. Deixo para tratar disso em outro texto.